"Entro no salão, a batida da música segue meus passos, dançantes, alegres. Tantos rostos cobertos, tantas máscaras exuberantes, tantos rostos desconhecidamente conhecidos, amigos sem nome, no ritmo da música dançam.
Logo, sinto-me hipnotizada pelo som. Envolvo-me nas pessoas, concentro-me nos movimentos. Hora de festa, hora de alegria, hora de despreocupação. Observo uma máscara esbelta, pertencente a um corpo alto, robusto. Sorrio distraídamente em sua direção, meu sorriso é retribuído. A figura anda em direção a mim, no embalo da melodia eletronizada.
Dançamos juntos, em meio a risadas descontrídas e coreografias improvisadas. Não sei seu nome, não sei seu rosto. Seus olhos lápis-lazúli são a única coisa visível em seu rosto, além da boca, e seus cabelos pretos e levemente cacheados. No momento, não sinto-me mais hipnotizada pela balada, mas por seus olhos claros, como jóias, quero-as para mim. Para sempre.
Já está tarde, e não há mais como permanecer com meu mascarado de olhos azuis. O sonho acabou, está na hora de viver a realidade, acabou a magia da música.
Volto para casa, com uma esperança de reencontrá-lo acima do normal. Daria tudo para ver aqueles olhos outra vez, para saciar minha fome, meu desejo, minha necessidade. Apenas uma vez, de novo, uma. Mas não há como, principes encantados não existem, apenas nos sonhos.
Está na hora de ir para a realidade.
Atrasada, vou correndo para o metrô, correndo com meu material bagunçado. Quase não presto atenção nas pessoas ao meu redor, nem mesmo penso nos olhos mágicos. Só não posso me atrasar mais. Subtamente, ocorre um baque. Choco-me com alguém, e minhas coisas vão ao chão. É um rapaz, e ele ajuda-me a recolher meus pertences, e ao entregá-los, olha diretamente para meu rosto. Seus olhos azuis me encantam.
- Desculpe, mas já nos vimos antes? - pergunta ele.
- Não, tenho certeza que não. - respondo com um sorriso malicioso nos olhos.
Mentiras podem ser boas, e não havia um motivo para dizer a verdade.
Contos de fadas existem, assim como seus príncipes, pois eu reencontrei o meu, assim como desejei."
Bý Mariana, recuse imitações.
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