"Não havia o que fazer, simplesmente permaneci sentada na escadaria dos fundos, despercebida. Aquele baile, aquele dia, era para ser meu dia, tudo aconteceu errado. Ele não veio.
Minha festa, todos com seus pares, alegremente dançantes. Exceto eu, meu par não veio, talvez simplesmente pelo fato de que ele não exista. Talvez, apenas talvez, ele exista, mas enquanto não o conheço, não há par, não há dança, não há alegria.
No chão frio, a música aquece minha pele, mas meus olhos úmidos não ligam para a temperatura. Não há par, não há amor.
Inesistente, todos estão se divertindo, não há porque repararem em mim. Já é tarde, só mais um pouco dessa agonizante tortura interminável.
O que será essa sombra? Está vindo em direção a mim, não deve vir falar comigo, deve estar indo até a mesa de ponche. Eu sou inútil.
A sombra se move em direção a mim, e uma voz grossamente suave, suavemente grossa, pergunta-me se gostaria de dançar, pois criaturas como eu não devem estar desacompanhadas.
Será ele? Meu par, será? Ele veio, finalmente? Encontrei, realmente?
Levanto-me, encarando-o, fixando meus olhos nos seus, aqueles olhos, como jóias incrustadas num fundo branco, hipnotizam-me.
O mundo ao nosso redor para. A música segue nosso ritmo, lento, calmo, desapressado. Não há mais nada, apenas ele, nada mais importa, apenas ele.
Não sei quanto tempo lá ficamos, não lembro-me de despedir-me dele, de voltar para casa, apenas acordo em meu quarto, e nao o encontro ao meu lado. Subtamente, sou tomada por um vazio, entro em desespero. Onde estará ele? Nem ao menos sei seu nome...
Nunca me senti assim antes, é estranho, tudo me recorda ele, seu cheiro, seu toque, seus olhos...
Deveria me matar, talvez nunca mais o veja, nunca mais o sinta...
É impossível. Não sei o que fazer, viver sem ele, seus olhos azuis, aquela noite, perguntas, problemas, sentimentos.
Espero lembrar-me se seu rosto ao morrer, pois saberei que por algum momento realmente senti o que é amar."
Bý Mariana, Inspiração bý Oli Zerbini
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